Condições de trabalho da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico serão tema de nova audiência

Entre reivindicações dos músicos, está implementação de acordo assinado em 2017. Reunião será nesta quarta (29).

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, assim como o Coral Lírico, são mantidos pela Fundação Clóvis Salgado / Foto: Willian Dias – Arquivo ALMG

As condições de trabalho dos músicos da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais serão tema de nova audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), dessa vez na Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social.

A reunião será nesta quarta-feira (29/4/26), a partir das 16 horas, no auditório José Alencar. O deputado Leleco Pimentel (PT) foi quem solicitou o debate, que terá como convocado o recém-empossado presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita.

A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, mantida pela fundação, completa 50 anos em 2026 com um cenário de dificuldades. Hoje, cerca de 60 músicos atuam no grupo, mas apenas 33 são efetivos. Sem concursos regulares desde 2013, a solução adotada foi a contratação de parte dos profissionais pelo regime CLT, que já abrange cerca de 40% dos integrantes.

Os desafios são compartilhados também pelos músicos do Coral Lírico, que possuem o mesmo plano de carreira. Os dois grupos denunciam a defasagem dos salários, considerados os mais baixos entre as orquestras do País, com perda real acumulada de 46% desde 2010. O valor inicial pago aos músicos mineiros chega a R$ 1.618,72, bem abaixo do praticado em outros estados.

Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de Minas Gerais informa que, no ano de 2015, foi instituído um grupo de trabalho formado pela entidade e por representantes da Fundação Clóvis Salgado e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), com o intuito de revisar o plano de carreira da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico.

A articulação resultou em um termo de acordo entre as partes, assinado em 21 de dezembro de 2017. O sindicato reivindica a implementação do documento.

A entidade também critica a adoção da “pejotização” pela Fundação Clóvis Salgado, prática que obriga artistas a trabalharem como Micro Empreendedor Individual (MEI) e sem garantias trabalhistas. A demanda é por concurso público e, na impossibilidade de realização imediata do certame, que as contratações para preenchimento dos cargos vagos sejam ao menos CLT.

Novo presidente da Fundação Clóvis Salgado convocado

As reivindicações dos músicos já foram debatidas pelo Parlamento mineiro em mais de uma ocasião, tendo sido a última no dia 18 de março, em reunião da Comissão de Cultura. Nessa data, diante da ausência do então presidente da Fundação Clóvis Salgado, Sérgio Rodrigues Reis, o deputado Leleco Pimentel anunciou que realizaria nova audiência com a convocação da presidência da entidade mantenedora da orquestra e do coral.

Dias depois, na data de 10 de abril, Yuri Mesquita Junior, foi empossado novo presidente da fundação. A expectativa é que agora, com a gestão renovada, a entidade possa retomar o diálogo com os trabalhadores e com o sindicato dos músicos.

Além do atual presidente da Fundação Clóvis Salgado na condição de convocado, participam da audiência desta quarta (29) representantes do Governo do Estado,  do Ministério Público do Trabalho, de entidades culturais e sindicais, além de músicos e gestores da área.

ALMG

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