Reunião da Assembleia debate o trabalho escravo em Minas

Nos últimos dois anos, Ministério do Trabalho resgatou 1.067 trabalhadores em condições degradantes em Minas.

Lista Suja do Trabalho Escravo em Minas Gerais foi entregue na Assembleia no dia 15 de abril – Arquivo ALMG / Foto: Willian Dias

Nesta sexta-feira (24/4/26), a partir das 14 horas, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza uma audiência pública na Câmara Municipal de Pouso Alegre (Sul de Minas) para debater a situação do trabalho escravo e do trabalho análogo à escravidão no território mineiro.

A reunião é organizada pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da ALMG, por iniciativa de seu presidente, deputado Betão (PT). A Câmara Municipal de Pouso Alegre fica na Avenida São Francisco, 320, no Bairro Primavera. 

De acordo com o deputado Betão, o Sul de Minas Gerais é uma das regiões onde mais são identificados casos de trabalho escravo ou análogo à escravidão no Estado, até por ser uma das áreas que mais produzem café em todo o País. A colheita de café é uma das principais atividades onde ainda se identifica este tipo de exploração da mão de obra.

Lista Suja do Trabalho Escravo em Minas Gerais foi entregue na Assembleia de Minas no dia 15 de abril. O superintendente regional do Ministério do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Carlos Calazans, apresentou o documento para o deputado Betão e para a presidenta da Comissão de Direitos Humanos, deputada Bella Gonçalves (PT).

Na ocasião, o deputado Betão cobrou o cumprimento, pelo Governo do Estado, da lei que obriga a divulgação da Lista Suja em um site oficial de Minas Gerais, o que não vem sendo feito.

Minas Gerais é o Estado que apresenta maior número de casos identificados de trabalho escravo e análogo à escravidão no País. Foram 36 empregadores mineiros incluídos nesta última atualização da lista, enquanto o segundo colocado, o Estado de São Paulo, apresentou 18 novos nomes.

Para o superintendente Carlos Calazans, isso não significa que Minas é o Estado que mais escraviza, apenas o que mais identifica e reprime este tipo de crime. Segundo ele, foram resgatados 1.067 trabalhadores em Minas Gerais nos últimos dois anos. Durante a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos ocorrida em 15 de abril, Calazans citou algumas autuações ocorridas em Minas Gerais.

“No bairro Belvedere (em Belo Horizonte), nossa equipe encontrou uma empregada trabalhando em uma residência de alto padrão, há 40 anos. Ela estava em um quartinho sem iluminação, todo mofado, dormindo em um colchão sujo. É uma família de cinco advogados. Esses proprietários de uma casa de luxo no Belvedere tiveram a coragem de dizer que não era trabalho, que ela era uma pessoa da família”, relatou Calazans.

O superintendente mineiro também citou casos de bolivianos e venezuelanos resgatados em confecções espalhadas em Minas, principalmente na Capital e em Betim (Região Metropolitana de Belo Horizonte). “Eles não tinham onde beber água e nem onde dormir, e trabalhavam das 6 da manhã até 8 da noite”, contou Calazans.

Ele contou, ainda, que 121 pessoas foram resgatadas em uma fazenda de alho no município de Rio Piracicaba (Central), incluindo 20 crianças e uma mulher grávida. “Havia uma criança de 8 anos com a mão toda ferida de tanto trabalhar”, disse o superintendente.

Entre os convidados para a audiência pública desta sexta-feira, já confirmou participação a desembargadora Adriene de Moura David, do Tribunal Regional do Trabalho da 15º Região e Coordenadora do Comitê de Combate ao Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e de Proteção do Trabalho do Migrante.

Também confirmaram presença o coordenador-geral da Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais, Jorge Ferreira dos Santos Filho, e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Sul de Minas, Vauvenargues Lopes.

ALMG

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